Quando foi a última vez?
Antes de falar de estratégias, uma pergunta simples. Respondam no chat ou, se preferirem, escrevam só para vocês.
Quando foi a última vez que falámos de dinheiro em família sem ser por causa de um problema?
O dinheiro costuma entrar na conversa quando já há tensão. Hoje vamos fazê-lo entrar mais cedo, e com calma.
Falar de dinheiro em casa
Falar de dinheiro não é discutir. É escolher, em conjunto, para onde vai a energia da casa.
Quase ninguém aprendeu a ter esta conversa. Por isso ela tende a acontecer à pressa, depois de uma fatura ou de uma discussão. Muda tudo quando é marcada com antecedência, num momento calmo, e quando cada pessoa tem direito a falar sem ser interrompida.
Frases para abrir a conversa
Podemos escolher um momento esta semana para olhar para o dinheiro lá de casa, sem pressa e sem culpas?
O que é que, para ti, faz mesmo diferença no que gastamos?
Se pudéssemos mudar uma coisa nas nossas despesas, qual seria?
Do que gostas tanto que não queres perder, mesmo que tenhamos de poupar?
Reunião de família em 20 minutos
Regra de ouro: quem está a falar não é interrompido. Marquem cada passo quando o fizerem.
Prioridades e objetivos
Quando as prioridades de cada um ficam à vista, deixa de haver adivinhação e passa a haver escolha.
As três coisas em que mais gosto de gastar dinheiro
Cada pessoa da família escreve as suas. Se estiveres sozinha, preenche só a primeira coluna e depois pede aos outros que façam o mesmo em casa.
As prioridades nem sempre coincidem, e isso é normal. O que importa é que a conversa aconteça antes de o dinheiro ser gasto.
Todos envolvidos
Uma família que decide em conjunto gasta menos sem sentir que perdeu alguma coisa.
Quando toda a gente participa, aparecem mais ideias para gastar menos e aproveitar mais. Crianças e adolescentes também podem ter um papel concreto, por exemplo comparar preços por unidade no supermercado ou escolher a atividade do fim de semana dentro de um valor combinado.
Divertir sem gastar muito
Escolham as ideias que a vossa família gostaria de experimentar. Podem juntar as vossas.
Desafio de família
Estratégias práticas
Poupar com estratégia não é viver pior. É gastar melhor.
Várias destas estratégias vêm do episódio Supermercado mais caro? As minhas formas de poupar sem comprar menos, do podcast Contas-Poupança, com Pedro Andersson. Numa hora não dá para fazer tudo, por isso escolham duas ou três e levem as restantes para casa.
Antes de ir às compras
Cinco perguntas antes de sair de casa
Ir às compras sem saber o que se procura é como ir aos saldos sem lista. Compra-se pela promoção e não pela necessidade.
Quanto gasto mesmo no supermercado?
Abre o extrato dos últimos três meses e soma o que gastaste em supermercado, talho, peixaria e mercearia, pagos com cartão. Quase ninguém sabe este número, e a estimativa costuma falhar.
Preenche pelo menos um mês para ver a tua média.
O desafio não é deixar de comprar o que é essencial para ti. É comprar o mesmo, a melhor preço.
No supermercado
Comparador de preço por unidade
O preço da embalagem e a percentagem de desconto enganam. Compara sempre o preço por quilo, por litro, por lavagem ou por unidade, mantendo a mesma qualidade. Serve para pasta de dentes, sabonetes, chocolates, detergentes e quase tudo o resto. Se não souberes qual é o preço normal de um produto, compara com os outros que estão na mesma prateleira.
Valores de exemplo. Apaga-os e escreve os teus.
Comprar inteiro e cortar em casa
Peixe e frango inteiros costumam custar menos por quilo do que filetes e peitos já cortados. Podes pedir ao balcão que os separe, ou cortar tu em casa. Conta só o que de facto aproveitas, porque cabeça, espinhas e ossos também pesam.
Escreve os dois preços por quilo para comparar.
A mesma lógica serve para outros produtos. Uma salada embalada e já lavada, por exemplo, costuma custar bastante mais por quilo do que os ingredientes que lavas e cortas tu.
Descontos e cartões
Este desconto é verdadeiro?
Anota o preço habitual dos produtos que mais compras. Só assim se vê se uma promoção é mesmo uma promoção.
Preenche os preços para ver o desconto real.
Um cartão por pessoa
Cada pessoa da família pode ter o seu cartão de fidelização, desde que a idade e as regras da loja o permitam. Antes de ir às compras, vê que descontos e cupões cada cartão tem e reparte as compras por eles. Confirma sempre as regras de cada cartão, porque mudam de loja para loja.
Depois de comprar
Guardar a diferença
Se gastaste menos do que o valor que tinhas definido, transfere a diferença para uma conta à parte, de preferência de forma automática. Trata-a como um prémio por teres feito melhores escolhas.
O meu semáforo e a conta do hábito
O ponto de partida: olhar para a situação real, sem maquilhagem e sem julgamento.
O meu semáforo
Com o que recebes e o que gastas por mês, vês em que cor estás. Os valores não saem do teu dispositivo.
Estão preenchidos valores de exemplo, 1500 de rendimento e 1200 de despesas. Troca-os pelos teus.
Escreve o que recebes e o que gastas para veres a tua cor.
Em qualquer cor, a pergunta é a mesma: o que posso substituir, reduzir ou eliminar? Substituir não é abdicar. Só muda a urgência.
A conta do hábito
Um gasto pequeno, repetido todos os dias, faz uma diferença grande ao fim do ano. Experimenta com o teu.
O exemplo da sessão: café e nata, 2 euros por dia, 5 dias por semana.
A qualidade de vida não mudou e ganhei margem para outras coisas. Podes continuar a ir ao café e ter a tua conversa, sem o gasto que era só hábito.
Desafio dos 15 minutos da riqueza
Ciclos que se repetem até serem vistos. Separar o essencial do ruído.
Desafio dos 15 minutos da riqueza
Um novo hábito, diário. Escolhe um momento do dia que seja fácil de manter e ligado a algo que já fazes sem pensar, como lavar os dentes.
Ao fim de dois meses, tens informação e clareza para planear 2027 com números teus.
O meu compromisso
O desafio começa esta noite. Escolhe o momento do dia em que vais fazer os teus 15 minutos e abre a app.
Fica guardado só neste dispositivo.
Planear 2027
O que se vê em cima só se sustenta pelo que está em baixo.
Planear 2027
As despesas que pagas uma vez por ano, ao semestre ou ao trimestre deixam de ser surpresa quando as dividimos por 12.
O meu rendimento mensal real
Valor de exemplo: 1000 euros por mês. Troca pelo teu.
Quem recebe subsídios em separado multiplica por 14 e divide por 12. Se guardas os subsídios para seguros, ajusta conforme o teu fluxo de caixa.
As minhas despesas que não são mensais
| Despesa | Valor de cada pagamento | Quantas vezes por ano | Por mês | Remover |
|---|
As linhas são exemplos. Troca os nomes e os valores pelos teus.
Esse valor sai da conta à ordem por transferência automática, no início do mês, para uma conta de lado com um objetivo. Quem não está habituada começa por planear os próximos três meses. Quando for hábito, planeia o ano.
Poupança paz e reflexões
Direção escolhida por ti, com um ponto de luz à frente.
A minha poupança paz
É a poupança que te garante estar em paz se acontecer um imprevisto. Atenção: um seguro ou a manutenção do carro não é um imprevisto. Esses devem estar planeados.
Depende da realidade do agregado familiar e de seres trabalhadora dependente ou independente. Quem tem rendimento certo pode sentir paz com menos meses. Quem tem rendimento variável precisa de uma margem maior. O número certo é o que te deixa dormir descansada.
É o valor da tua poupança paz.
Valores de exemplo. Troca-os pelos teus.
Reflexões
Escreve em silêncio. As das crenças e do semáforo são as que mais ganham em ser escritas.
A minha história e as minhas crenças
- Qual é a frase sobre dinheiro que ouvi em criança e ainda me acompanha?
- De quem veio, e acredito mesmo nela?
- Há algum valor meu que o meu dinheiro não está a acompanhar?
O termostato financeiro
- Há quantos anos o meu valor de poupança é mais ou menos o mesmo?
- O que fiz da última vez que recebi dinheiro extra?
Falar de dinheiro em família
- Quando foi a última vez que falámos de dinheiro em família sem ser por causa de um aperto?
- Que sonho de cada pessoa lá de casa ainda não conheço?
- Que responsabilidade posso dar a um filho esta semana?
O desafio e o semáforo
- A que hábito diário vou ligar os meus 15 minutos?
- Que gasto faço por hábito, sem ter consciência, e que sentimento está por trás dele?
- Quanto recebo e quanto gasto por mês? Que cor tem o meu semáforo?
- O que posso substituir, reduzir ou eliminar sem abdicar do que me dá prazer?
Planear e poupança paz
- Que despesas anuais, semestrais e trimestrais me apanham sempre de surpresa?
- Quanto tenho de pôr de lado por mês para cada uma?
- O que é realmente um imprevisto na minha vida e o que devia estar planeado?
Gastar com respeito por nós, em família, com os sonhos de todos à mesa e com os números à frente.
Uma ação para esta semana
Uma ação pequena, feita em família, vale mais do que um plano perfeito na gaveta.
A minha ficha
Fim da jornada. A conversa em família começa em casa.